Roubo, furto, violência: o mapa por tipo de crime no Rio e em SP 2026

Atualizado: 2026-06-159 min de leitura

Saber que um bairro tem "índice alto" do ISP-RJ ou SSP-SP é o começo, não o fim. A pergunta útil é: que tipo de ocorrência predomina ali? Se for roubo a transeunte, seus hábitos peatonais pesam mais que a portaria. Se for furto de veículo, a vaga coberta do prédio é o que move a agulha. Se for arrombamento de residência, a portaria 24/7 e o circuito de câmeras são inegociáveis. O Inmoatlas decompõe os dados oficiais por tipo.

Categorias que importam ao morador

  • Roubo a transeunte: com violência ou grave ameaça, em via pública ou transporte coletivo.
  • Roubo / furto de veículo: o veículo inteiro ou peças (rodas, retrovisor, bateria).
  • Arrombamento de residência: roubo ou furto em imóvel residencial.
  • Lesão corporal dolosa e tentativas de homicídio: indicador da fricção violenta do entorno imediato.

Composição por bairro - Rio (ISP-RJ, 12 meses)

BairroTranseunteVeículoResidênciaViolência
Copacabana52%20%8%20%
Ipanema50%24%8%18%
Leblon48%28%10%14%
Botafogo46%24%12%18%
Tijuca38%36%14%12%
Santa Teresa40%12%14%34%
Barra da Tijuca24%54%14%8%
Recreio20%58%14%8%
Jardim Botânico32%38%18%12%
Gávea28%42%20%10%
Composição percentual dos registros ISP-RJ por bairro, janela abr-2025 a mar-2026.

Composição por bairro - São Paulo (SSP-SP, 12 meses)

BairroTranseunteVeículoResidênciaViolência
Pinheiros46%26%8%20%
Vila Madalena50%20%8%22%
Itaim Bibi32%46%10%12%
Jardim Paulista30%48%12%10%
Brooklin22%56%14%8%
Moema24%52%14%10%
Vila Olímpia28%52%10%10%
Vila Mariana32%42%14%12%
Saúde30%44%14%12%
Higienópolis34%38%18%10%
Composição percentual dos registros SSP-SP por bairro, janela dez-2024 a dez-2025.

Copacabana, Ipanema, Pinheiros: o corredor do transeunte

Nos bairros densos com vida de rua intensa - Copacabana, Ipanema, Leblon, Pinheiros, Vila Madalena - mais de 46% dos registros são contra transeunte. Somadas as agressões em via pública, mais de 65% do risco está fora de casa. A consequência prática: o prédio onde você dorme importa relativamente menos do que sua rota a pé na sexta à noite. Em Pinheiros isso se concentra na Avenida Faria Lima ao corredor Vila Madalena; em Copacabana, na Avenida Atlântica e nas transversais principais.

Brooklin, Moema, Barra da Tijuca: o risco é veicular

Brooklin 56% e Recreio 58% dos registros são contra veículo. Barra da Tijuca 54%. Moema e Vila Olímpia 52%. Isso muda radicalmente a leitura de "Brooklin é seguro": é seguro para o pedestre, mas seu carro estacionado na rua tem risco elevado. A inferência: a vaga coberta do prédio não é luxo, é necessidade básica. E se o bairro onde você vai morar tem muito estoque com "vaga opcional na rua", desconfie.

Dato

O furto de partes de veículo na Zona Sul SP é dominado por retrovisores e rodas de SUV premium. O modelo do carro afeta a estatística individual: certos SUVs alemães concentram risco, certos sedans japoneses estão muito abaixo da média.

Gávea, Jardim Botânico: arrombamento residencial alto

Gávea aparece com 20% de arrombamentos de residência, Jardim Botânico 18%, Higienópolis em SP 18%. São bairros com alta concentração de casas unifamiliares de alto valor ou apartamentos térreos em vilas históricas. Em Gávea e Jardim Botânico, o risco doméstico é estrutural: muros baixos por mandato urbanístico, jardins acessíveis, ruas arborizadas com menor visibilidade noturna. Morar em casa nestes bairros exige investimento real em segurança - alarme monitorado, câmeras orientadas a acessos, possivelmente segurança particular.

Santa Teresa: o perfil único de violência

Santa Teresa marca 34% em lesão corporal dolosa e violência - o mais alto do análisis carioca. É consequência geográfica: ladeiras íngremes, mistura com comunidades adjacentes, resposta policial mais lenta, e fluxo turístico que produce fricção noturna. O perfil de risco em Santa Teresa não é "vão furtar seu carro" - é violência interpessoal e abordagem violenta a pé. Quem mora ali precisa de hábitos diferentes (rota de retorno específica, evitar pontos cegos noturnos).

Como usar o mapa segundo seu perfil

Perfil 1: jovem profissional sem carro, vida noturna ativa

A fração transeunte + violência manda. Pinheiros e Vila Madalena em SP, Copacabana e Botafogo no Rio: vão concentrar a maior parte do risco fora do prédio. Sua mitigação é peatonal (Uber em vez de caminhar tarde, evitar passar com celular à vista em corredores conhecidos).

Perfil 2: tem carro, estaciona na rua às vezes

A fração veículo passa ao primeiro plano. Brooklin, Moema, Jardim Paulista em SP; Barra, Recreio, Gávea no Rio. Para você, o decisivo é vaga coberta individual no prédio, não "vaga assinada em estacionamento aberto". E carros com peças de alto valor (rodas premium, retrovisores caros) atraem risco específico.

Perfil 3: família em casa ou apartamento térreo

A fração residencial sobe. Em Gávea, Jardim Botânico, Higienópolis: alarme com monitoramento 24/7, câmeras orientadas a acessos, portaria 24h se for prédio. Em SP, sobrados em Vila Madalena/Pinheiros também concentram arrombamentos: a "casa charmosa" com muro baixo cobra um prêmio em risco.

Limitações dos dados

ISP-RJ e SSP-SP medem ocorrências registradas, não cifra real. Bairros com maior confiança na polícia reportam mais; bairros periféricos menos. O viés afeta principalmente a comparação centro-versus-periferia; entre bairros do mesmo perfil socioeconômico, a leitura relativa é confiável. Por isso o Inmoatlas só comunica composições percentuais entre bairros comparáveis, não índices absolutos cruzando perfis muito diferentes.

Como construímos o score (e onde ele falha)

Na nossa base ativa do Inmoatlas em maio 2026 cobrimos cerca de 2.200 anúncios verificados no Rio de Janeiro e em São Paulo, cruzados contra os dados oficiais do ISP-RJ e da SSP-SP. O score que apresentamos pondera 70% crimes violentos e 30% patrimoniais sobre uma janela móvel de doze meses, normalizado por cem mil habitantes. Onde o dataset falha: bairros com menor confiança na polícia aparecem artificialmente "melhores" porque registramos ocorrências reportadas, não cifra real. Também não capturamos diferenças quadra-a-quadra: o índice agrega toda a CISP ou DP, e dentro de Pinheiros há ruas tranquilas e corredores noturnos com perfil claramente diferente. Por isso comunicamos o índice junto com a composição por tipo de ocorrência e junto ao perfil do prédio (portaria 24/7, CFTV, controle de acesso) antes de declarar uma região "segura" ou "conflituosa".

Para aprofundar: cruze este artigo com o mapa de imóveis por bairro, o explorador com filtros e o verificador de golpes do Inmoatlas. Para os dados oficiais nos quais nos apoiamos, consulte o ISP-RJ e a SSP-SP.

Filtrar imóveis por segurança no Rio e SP

Perguntas frequentes

Por que Moema aparece com tanto furto de carro se tem fama de "tranquilo"?

Moema tem alta densidade de carros premium estacionados na rua durante o dia e à noite, e é parte do corredor sul de SP onde gangs de autopartes operam. O bairro é seguro para o pedestre; não é seguro para seu carro sem vaga coberta. A distinção é crítica - e o índice agregado a esconde.

Por que Leblon tem mais residencial que Copacabana?

Leblon tem mais apartamentos térreos e vilas charmosas com vulnerabilidades arquitetônicas; Copacabana é predominantemente prédios verticais com portaria 24h. A composição reflete o tipo de estoque, não só o nível socioeconômico.

Os dados são confiáveis o suficiente para escolher bairro com eles?

Para a composição relativa entre bairros do mesmo perfil, sim. Para comparações cruzadas centro-periferia há viés de subregistro. Recomendamos cruzar com conversa com vizinhos da quadra específica antes de fechar contrato, especialmente em bairros com índice elevado.

Como medir risco dentro de bairros grandes como Pinheiros e Tijuca?

O ISP e a SSP publicam por CISP e DP - cuadras dentro do mesmo DP herdam o mesmo índice. Para refinar, vale caminhar pela rua em diferentes horários, observar iluminação, fluxo noturno e câmeras visíveis. O índice é macro; a cuadra é micro.

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